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Entrevista: Odontologia no campo de prática na Atenção Primária à Saúde

Professor Túlio Nogueira destaca formação interprofissional no CeFIS

Texto: Eduardo Almeida

Fotos: Atividades no território

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A experiência de estágio no Centro de Formação Interprofissional em Saúde (CeFIS/UFG) tem proporcionado aos estudantes de Odontologia da Universidade Federal de Goiás uma formação que ultrapassa os limites da prática clínica tradicional. Em entrevista, o professor Túlio Nogueira, docente da Faculdade de Odontologia (FO/UFG) e coordenador de estágio do curso no Centro, explica como a vivência no território fortalece competências profissionais, amplia o olhar sobre o cuidado em saúde e aproxima os futuros cirurgiões-dentistas da realidade do SUS.

Segundo o docente, o estágio comunitário interprofissional envolve estudantes do último ano do curso, que atuam diretamente em Unidades de Atenção Primária à Saúde nos municípios de Firminópolis e São Luís de Montes Belos. “Eles são acompanhados por um cirurgião-dentista que exerce o papel de preceptor e, ao longo de quatro semanas, desenvolvem tanto procedimentos clínicos supervisionados quanto ações de promoção e educação em saúde”, explica.

A experiência vai além do consultório. Como destaca o professor, as atividades também acontecem em outros espaços do território, como visitas domiciliares, escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs). “Isso permite que a experiência vá além do cuidado clínico individual e inclua uma atuação mais ampliada, voltada para o território e para as necessidades da comunidade”, afirma.

Vivência interprofissional

Outro ponto central da formação no CeFIS é a convivência com estudantes e profissionais de outras áreas da saúde. Para Túlio, essa interação é um dos aspectos mais ricos do estágio. “A convivência com outras áreas permite que o estudante realmente saia da sua própria área e amplie seu olhar”. Ele ressalta que essa troca ocorre tanto nos espaços formais das unidades de saúde quanto em momentos informais, como no alojamento e nos deslocamentos. “Nessas interações, surgem trocas espontâneas sobre casos clínicos, discussões sobre condutas e até o contato com formas de pensar próprias de outras áreas”, acrescenta.

Essa vivência contribui diretamente para o desenvolvimento de competências interprofissionais. “Os estudantes passam a compreender melhor tanto os limites quanto as potencialidades de cada profissão, reconhecendo o papel de cada profissional dentro da equipe de saúde”. Além disso, há momentos estruturados de integração, como ações conjuntas e intervenções planejadas a partir de problemas identificados no território. “Essa intervenção precisa ser planejada e executada de forma interprofissional, o que exige diálogo e construção coletiva”, destaca.

No que diz respeito à inserção da Odontologia no trabalho multiprofissional, o professor afirma que a integração ocorre de maneira natural, especialmente quando se considera a relação entre saúde bucal e saúde geral. “O cuidado odontológico não é isolado, mas parte de um conjunto maior de ações em saúde”. Para ele, a presença dos estudantes também contribui para fortalecer práticas interprofissionais dentro das próprias unidades. “Essa troca é muito rica, porque não envolve apenas o aprendizado do estudante, mas também contribui para a reflexão e o aprimoramento das práticas dos profissionais que já atuam no serviço”, observa.

Desafios no território

A transição para o cenário real de prática, no entanto, traz desafios. “É bastante diferente do ambiente mais controlado das clínicas da Faculdade de Odontologia”, ressalta. Segundo ele, os estudantes precisam lidar com maior fluxo de pacientes, desenvolver agilidade e, muitas vezes, adaptar-se aos recursos disponíveis. “Isso contribui para o desenvolvimento da autonomia e da capacidade de resolução de problemas”, avalia.

Outro desafio apontado é o contato com diferentes formas de conduzir o cuidado. “Em alguns momentos, os estudantes se deparam com orientações que não coincidem totalmente com aquilo que aprenderam na graduação. Mas esses desencontros acabam sendo muito ricos, pois abrem espaço para reflexão e mostram que, em saúde, muitas vezes existem diferentes caminhos possíveis”, afirma.

Apesar das dificuldades iniciais, a resposta dos estudantes costuma ser positiva. “Ao longo das semanas, eles se mostram cada vez mais confortáveis e envolvidos com a experiência”. Para muitos, o estágio se torna um dos momentos mais marcantes da graduação. “É comum que relatem um maior senso de pertencimento à profissão e uma percepção mais clara de estarem preparados para a prática no mundo real”, completa.

O CeFIS

Na avaliação do professor, o CeFIS se destaca por oferecer uma experiência de imersão em um ambiente estruturado pela UFG. “É um espaço confortável, que favorece muito a convivência e a integração entre os estudantes”, diz. Ele também ressalta a organização institucional, que garante a inserção planejada nos cenários de prática e a convivência entre diferentes áreas da saúde nas mesmas unidades.

Por fim, o docente destaca o impacto dessa vivência na relação dos estudantes com o Sistema Único de Saúde. “A aproximação com o SUS, em contextos reais, permite que os estudantes reconheçam, na prática, o potencial do sistema enquanto espaço de atuação qualificada”. Segundo ele, essa experiência contribui para desconstruir visões estereotipadas e pode influenciar escolhas profissionais futuras. “Não é raro que o estágio desperte o interesse em seguir carreira no SUS, contribuindo para o fortalecimento da rede e para a formação de novos profissionais”, conclui.

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Fonte: Comunicação Centro Firminópolis

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