Estudantes em atividade

Educação Interprofissional e trabalho colaborativo: experiências que transformam a formação acadêmica

Vivência no CeFIS/UFG aproxima estudantes da realidade dos municípios e fortalece uma formação mais humana e integrada

Texto: Keila Pereira

Estudantes em atividade

O trabalho desenvolvido nos serviços públicos exige, cada vez mais, profissionais preparados para atuar de forma integrada, colaborativa e sensível às necessidades da população. Nesse contexto, a educação interprofissional tem ocupado espaço importante na formação acadêmica ao estimular a convivência e a aprendizagem compartilhada entre diferentes áreas do conhecimento.

No Centro de Formação Interprofissional em Saúde (CeFIS/UFG), estudantes dos cursos de Enfermagem, Fisioterapia, Medicina, Nutrição e Odontologia vivenciam essa experiência por meio do Estágio Comunitário Interprofissional realizado nos municípios de Firminópolis e São Luís de Montes Belos.

Os estudantes permanecem, em média, quatro semanas no Centro, organizados em ciclos de estágio. Durante esse período, acompanham a rotina dos serviços públicos, participam de atendimentos, atividades coletivas, ações educativas, visitas domiciliares e discussões de casos desenvolvidas em conjunto com profissionais das unidades e com a comunidade.

Cada ciclo é marcado por momentos de integração e troca entre os estudantes. No início das atividades, é realizada uma reunião de acolhimento e alinhamento das propostas do estágio. Ao final do período, outro encontro promove reflexões sobre as experiências vividas, os aprendizados construídos e os desafios encontrados ao longo da atuação nos municípios.

A convivência entre estudantes de diferentes cursos contribui para fortalecer o trabalho colaborativo e ampliar a compreensão sobre o papel de cada profissão dentro das equipes multiprofissionais. Além da troca de conhecimentos técnicos, a experiência também estimula habilidades relacionadas à comunicação, escuta, empatia, responsabilidade e construção coletiva do cuidado.

Para muitos acadêmicos, a experiência em Firminópolis representa também um contato mais próximo com realidades diferentes daquelas vividas nos grandes centros urbanos. A atuação nos municípios permite compreender de forma mais ampla os desafios enfrentados pelos serviços públicos e pela população atendida, fortalecendo uma formação mais humanizada e conectada às necessidades do território.

Segundo a gestão do Centro, a experiência costuma impactar diretamente a trajetória pessoal e profissional dos estudantes. Muitos chegam ao estágio com determinadas perspectivas sobre a profissão e encerram o ciclo com uma visão mais humana, responsável e comprometida com o cuidado coletivo. Há relatos de estudantes que, mesmo nos finais de semana, retornavam ao município para visitar pacientes e acompanhar situações que conheceram durante as atividades do estágio, fortalecendo vínculos construídos ao longo da experiência.

Além do aprendizado técnico e acadêmico, o estágio também contribui para o fortalecimento das relações interpessoais entre os próprios estudantes, que passam a compartilhar responsabilidades, desafios e experiências fora do ambiente universitário tradicional.

A trajetória do Centro também acompanha a história da interiorização da Universidade Federal de Goiás. Na década de 1970, iniciativas semelhantes foram implantadas nos municípios de Porto Nacional (TO), Picos (PI) e Firminópolis (GO). Atualmente, o trabalho desenvolvido em Firminópolis permanece como referência dessa proposta de integração entre universidade, serviços públicos e comunidade, consolidando mais de cinco décadas de atuação voltadas à formação acadêmica e à aproximação com as realidades do interior.

Fonte: Comunicação Centro Firminópolis

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